Um motorista, a
centenas de metros, vislumbra dezenas de veículos. Estes, junto à casa
mortuária e cemitério comunitário, encontram-se estacionados. O fato, no sábado
anterior ao domingo do Dia das Mães, sucedeu-se no contexto da comunidade!
O pensamento, de
imediato, direcionou-se ao falecimento de algum ente. Este refletiu: “- Quem
será desta vez? Dê que família? Vou parar para perguntar algum pedestre? Alguém
certamente saberá informar do sucedido!” A extrema curiosidade obriga a decifrar
o enigma!
Uma realidade comum,
com a progressiva achegada da urbanização, consiste em enterrar amigos e
conhecidos. Os falecimentos, em meio às muitas pressas e tarefas diárias, nem
sempre acabam anunciadas e comunicadas às partes interessadas. Uns, para os
desconhecidos e estranhos, somem como
nunca tivessem existidos!
Outras famílias, com
a existência de inúmeras emissoras de rádio, nem sempre sintonizam a estação
dos anúncios comunitários. Diversos membros, sobretudo anciões, vêem-se
perecidos (sem maiores alardes e comunicações). Os jovens pouco caso fazem das
desconhecidas estirpes!
O condutor, na
passagem pelo espaço, depara-se com a porta cerrada da casa mortuária. Este relembra-se
da velha tradição colonial: “- O afluxo, na véspera do Dia das Mães, sucede-se de
muitos aparentados e filhos”.
Os familiares, de
longínquas paragens, tratam de efetuar uma visitação aos finados entes queridos!
Os finados, com as muitas reminiscências do outrora, recebem comentários e
referências junto às descendências!
Os jazigos ostentam-se uma espécie de extensão do
patrimônio familiar. A consideração e preservação da memória integra o conjunto
da evolução cultural. Singelas atitudes e exemplos, às novas gerações, servem
de norte aos posteriores cuidados e tratamentos.
Guido Lang
“Singelos Fragmentos
das Histórias do Cotidiano das Vivências”
Crédito da imagem: http://g1.globo.com
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