segunda-feira, 6 de maio de 2013

A inversão de resultados


Os anos, com a contínua e diária vivência, revelam-nos certas aprendizagens e realidades! Nada melhor do que a experiência e o tempo para ensinar certos conhecimentos!
Pai e filho, como passatempo e treino, improvisaram suas tradicionais peladas. Uns joguinhos, como amantes do esporte, para descontrair e exercitar-se no interior da garagem!
O genitor, por uns bons meses, fazia corpo mole para fazer frente às investidas e jogadas do adversário. Este, em inúmeras oportunidades, deixava ganhar o seu rival (com razão de evitar os desapontamentos e desestímulos). O rebento, em instantes, desconfiava e queixava-se dessas sutis vitórias!
Época adveio e a situação reverteu! O filho, com a maior facilidade e habilidade, fazia descaso frente aos esforços das jogadas. O jogador, para não perder o companheiro e parceiro, deixava ganhar umas e outras partidas!
Uma realidade comum, na sucessão das gerações, consiste na alternância de mandos e postos! O vigor de hoje transforma-se na fragilidade do amanhã! Certas facilidades e posições, muito rápido, mudam de contexto e situação!
O indivíduo, na flor da idade, acha fácil certas práticas e tarefas. A idade, com suas dificuldades e flagelos, aconchega-se antes do esperado e imaginado. Inteligente e sábio, nesta agitada e desenfreada loucura, mostra-se aquele que alcança longa e interessante vida!

Guido Lang
“Singelas Fábulas e Histórias do Cotidiano das Vivências”

Crédito da imagem: http://br.freepik.com

A discreta lancheria


Um prédio, localizado numa vila de operários, assemelha-se a qualquer outra modesta e singela moradia. Este, de forma esporádica, encontra-se aberta a luz do dia. Uns, como os forasteiros ou visitantes, cedo a identificam como desabitada e vazia no conjunto.
A ímpar ocupação, nas caladas e surpresas das noites, ocorre através duma agitada e intensa vida econômica e social. Inúmeros clientes, sobretudo jovens, afluem de forma ativa (numa “pausada romaria”). O atendimento ocorre através duma discreta e minúscula janelinha. A clientela e frequentadores, saídos de becos e ruelas, assumem ares de estranhos seres (“assemelhados a farrapos ou zumbis humanos!”).
Os moradores, como população e vizinhança em geral, fingem desconhecer ou ignorar o comércio clandestino. Estes, inspirados no lema “de cada qual cuidar da sua vida”, querem distância de aborrecimentos, incomodações e represálias. Uns colaboram, outros temem a ação e influência do poder do tráfico. O dono do ponto, com favores e mimos às famílias, apresenta-se de achegado e boa gente!
O negócio de entorpecentes, a margem das leis, encontra-se disseminado pelos inúmeros ambientes e espaços! A praga social das drogas, através dos desvios da juventude e substituição de valores, encaminha a destruição da civilização! Alguns corajosos e honestos, em nome da solidez das instituições, teriam a insensatez e ousadia “de colocar as cabeças a prêmio”?
O comércio dos “bagulhos” encontra-se minado nos inúmeros ambientes (“tudo dominado!”). Uns muitos, da degradação e destruição humana, extraem o seu “ganha pão”! Outros poucos encaminham seu enriquecimento! Quais os moradores que tratam de brigar/denunciar os seus vizinhos para a autoridade policial? Uns precisam dos outros nos ambientes das favelas e vilas!

Guido Lang
“Singelas Fábulas e Histórias do Cotidiano das Vivências”

Crédito da imagem: http://www.gitowendel.com

domingo, 5 de maio de 2013

O ímpar corte de gramado


Um morador, com amplo terreno, mantinha o tradicional problema do corte de grama! Um especial e lindo gramado, ao redor da moradia, para correr e sentar com a família!
Um imenso espaço, num cerro, para judiar-se na limpeza. A cada quinzena, no sabor do calor e umidade, possuía aquela tarefa. A cobrança advinha: “- Pai! Precisa cortar a grama!” Sábados, da tradicional folga, obrigavam a empurrar máquina!
A solução, diante do dilema, consistiu em ação e inovação! Conversa aqui e acolá! Reflexão cá e lá! O jeito consistiu em fazer um cercamento. O custo, no início, foi elevado. A recompensa maior foram os resultados!
A genialidade consistiu em criar um casal de ovelhas. A grama, como massa verde, cedo faltou! Uma ração, como complemento alimentar, ajudou na alimentação. Os ovinos, no dia, eram donos do ambiente e, à noite, a cachorrada!
Uns indivíduos salientam-se pela genialidade das ações. Singelos paliativos podem revelar-se boas soluções! Os problemas podem ser fatores de geração de dividendos e implantação de genialidades!

Guido Lang
“Singelos Fragmentos das Histórias do Cotidiano das Vivências”

Crédito da imagem:http://donna-betharte.blogspot.com.br

sábado, 4 de maio de 2013

A troca de dono


Um cachorrinho, depois duma certa idade, acabou adotado por uma família colonial. O dono original, por falta de espaço no ambiente urbano, resolveu doá-lo às colônias. Este, no novo local, cedo realizou-se como animal. Ele conheceu a liberdade das correntes e debruçou-se sobre as caçadas.
O animal, nas idas e vindas no ambiente rural, conheceu macegas, matos e roças. As caçadas, como passatempo predileto, tornaram-se uma obsessão. Quaisquer oportunidades viam-se aproveitadas para devassar espaços. O novo dono, na compreensão canina, fazia-lhe escassos passeios ao interior das lavouras.
O cão, depois de uns bons meses, aprendeu a acompanhar o vizinho. O rural, a cada dia, ia e vinha do interior da propriedade. Os passeios, com o patrão opcional, tornaram-se uma opção e rotina. A casa colonial, no interior dum lugar ermo, viu-se desguarnecida na vigilância.
O cachorro, em meio à paixão das caçadas, adotou o novo lar. A antiga moradia, do segundo dono, deixada às moscas. Os graxains, lagartos, gatos do mato e raposas, com frequência, ousaram atacar o ambiente das galinhas. A ausência canina, em função da carência de cheiros, reforçou a ousadia da fauna silvestre.
O dono de adoção, para não deixar acorrentado o animal, procurou tratá-lo deveras bem. Este achou em poder reverter uma situação adversa. O passatempo das caçadas, como vocação, falou mais alto do que os frequentes mimos. As esporádicas visitas não davam conta das exigências de guarda.
O morador, diante do abandono proposital, resolveu adotar outros dois jovens (cachorros). Eles, treinados paulatinamente nas funções, levaram a dispensa dos serviços do primeiro. O ousado fujão pode seguir sua sina!
O antigo parceiro, numa certa altura, fez descaso das suas eventuais visitas. Os mimos e tratos cessaram na proporção dos desleixos com as obrigações. Ele tinha renunciado a sua nobre adoção e função.
O idêntico aplicam-se aos filhos. Estes, numa altura, precisam abandonar a família. O torrão fica num plano secundário. Os pais continuam sua história. Eles procuram ajudar no que dá. Os genitores, de uma ou outra forma, procuram preencher o vazio.
O êxodo, nas comunidades do interior, tem sido um fato corriqueiro. Os jovens, na migração rural-urbana, abandonam famílias e comunidades. O emprego, como ganha pão, chama-os nos espaços urbanos. Eles, no trabalho assalariado, ganham o dinheiro bem mais fácil e rápido (do que na agricultura familiar).
As inúmeras comunas, nas últimas décadas, conheceram um verdadeiro esvaziamento rural. O enfraquecimento das entidades comunitárias tornou-se uma sina. O abandono das paragens, em parte, assemelha-se a história do desleixo canino.
Inúmeras localidades, com a massiva debandada dos filhos, tornaram-se uma espécie de tapera. Vultosos recursos rurais acabaram extraídos do interior e aplicados nos investimentos imobiliários. Moradores novos advém para preencher o vazio demográfico deixados por emigrantes.  

Guido Lang
“Singelas Crônicas do Cotidiano das Colônias”

Crédito da imagem: http://www.bayerpet.com.br

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O desleixo patrimonial


Um modesto senhor, pela esperteza comercial e industrial, tornou-se um homem abonado e reconhecido. Este, nos anos de labuta, avolumou expressivo patrimônio!
O dinheiro e a eficiência trouxeram-lhe admiração e fama. Ele, nas condições de vida, permitiu-se “ostentar o paraíso na Terra”: amores, comidas, lazeres, prazeres, veículos, viagens...
Uma obsessão e vício, como desvio da rota, tornaram-se as intimidades e paqueras! Mulheres, nos eventos privados, não podiam ausentar-se! Somaram-se certamente bebedeiras!
O fulano, como o “garanhão da madrugada”, mantinha três íntimas e próximas. Elas recebiam as benesses do dinheiro e da fartura. A felicidade, no entanto, era uma realização aparente ou ocasional!
O cidadão, com carência de energia e tempo, parecia não conseguir atender nenhuma a pleno contento. Os comentários e falatórios, “as costas e surdina”, eram “de levar chifre da beltrana e sicrana”! Esta prática, no círculo masculino, repercute e soa muito mal!
Ele possuía as condições financeiras, porém não a convivência e dedicação necessária! As dificuldades residiam nos excessos de posses. Quem tem demasia não consegue zelar por todos e tudo! O dono, de alguma maneira, cedo vê-se surrupiado!
Patrimônios volumosos oneram na manutenção e redobram a vigilância. A abundância do dinheiro traz no bojo as possibilidades dos abusos e exageros! Tarefas várias, concretizadas de forma paralela, acabam realizadas de maneira imprecisa!

Guido Lang
“Singelas Fábulas e Histórias do Cotidiano das Vivências”

Crédito da imagem:  http://www.fotos.ntr.br

quinta-feira, 2 de maio de 2013

A disfarçada coincidência


Um jovem, num certo baile, enamorou-se por determinada moça. Este, em meio aos diversos interessados e pretendentes, parecia não ter maiores chances de relacionamento.  Ele, em meio ao grande público, passava despercebido e ignorado.
A menina moça, em meio ao barulho e confusão de gente, nem imaginava da sua existência. As incursões, por algum eventual forasteiro, nem passavam-lhe pela mente! As atenções encontravam-se focadas nos amigos e parcerias de escola.
A fulana, numa altura, precisou achegar-se ao banheiro. A razão provável de fazer uns ajustes na maquiagem e reparos no visual. O moço, na hora da saída do lavatório, tratou de averiguar a chance e a sorte. Ele, num fraquejo proposital, simulou pisar-lhe no pé. O momento próprio de ganhar a atenção e graça de míseros segundos.
A conversação, como a tradicional “rasgação de seda”, direcionou-se de ser uma mulher de bom gosto no vestir-se, ostentar facilidades de relacionamento, possuir personalidade decidida... Uma mulher, de diferencial diverso, na medida do conjunto das frequentadoras do ambiente.  As colocações mexeram com os brios íntimos!
A atenção foi dada e merecida! O relacionamento, nas conversas e curiosidades mútuas, tomou intensidade. O cidadão soube conquistar as graças e o interesse. Esta, nas suas pretensões femininas, encontrava-se igualmente a procurar e achar “a sua outra cara metade!”
O diferencial, em relação ao conjunto, mostra-se uma chave para o sucesso. Certas práticas, de aparência impossível, ostentam-se perfeitamente realizáveis na proporção das adequadas estratégias. Os caminhos, na medida das afinidades e desobrigações, cedo entrelaçam-se entre os assemelhados espíritos.
                                                                               
Guido Lang
                                                   “Singelas Crônicas do Cotidiano da Existência” 

Crédito da imagem: http://evelyntomaz.blogspot.com.br

quarta-feira, 1 de maio de 2013

O princípio econômico


Os antigos com suas histórias e sabedorias! Lições de vida como especiais pérolas!
Estes, nas suas conversas familiares e informais, diziam: “Melhor ter um pombo na panela do que vinte sobrevoando os telhados!”
A expressão, em termos gerais, significa fazer valer e valorizar o pouco em detrimento do duvidoso e incerto. Os míseros centavos, aplicados com inteligência e parcimônia, avolumam e rendem fortunas. O tempo será o segredo da medida dos resultados!
O dúbio, como apostas e jogos, costumeiramente esvazia o bolso. Os dividendos e vantagens acabarão revertidos às alheias carteiras e contas! Os donos das bancas, com reais aqui e acolá, cedo avolumam invejáveis patrimônios, poderes e valores!
O princípio econômico, com os desenfreados consumos e desperdícios, faz tremenda falta no cotidiano da existência. Os aborrecimentos, estresses e ganâncias seriam bem menores.
Pessoas, por dinheiro, abster-se-iam “de vender a alma ao diabo”. Os juros estariam em menores patamares! A felicidade encontraria maior expressão nas coisas sublimes e tenras! A humanidade estaria noutro estágio da evolução espiritual!
Certas lógicas e princípios financeiros jamais cairão de moda. Apostas e riscos costumeiramente não passam de esperanças e frustrações. O certo pelo incerto é medida e sabedoria dos prudentes e sábios.

Guido Lang
“Singelas Fábulas e Histórias do Cotidiano das Vivências”

Crédito da imagem: http://foguinhomidia.blogspot.com.br