segunda-feira, 7 de março de 2016

O serviço singular


O sujeito, na estirpe de astuto e ocioso, assentou-se no bonitão e maioral. A cerveja e lanche, na agitada rodoviária e no horário nobre, afluíam no assento usual. O bem vestido, na gravata vermelha, paletó escuro e sapato lustrado, plagiava em ser doutor. Os próximos, na bisbilhotice e implicação, trataram de aferir ocupação. O trabalho, na manha do mero celular, acudia nas chamadas e préstimos. As clientes, no amparo íntimo, ligavam no desejo da companhia e volúpia. O afamado garanhão, no ofício, auferia alçado montante. O restrito círculo, nas madames, acorria na freguesia. Os cônjuges, na alta cifra de rainhas e zangões, delineiam ignóbil atuação. O pormenor, no fim, sucede na “baixa obra e germino dos ovos”. As pessoas, na variedade de aptidões, tratam de auferir sustento. As precisões, nos bastidores, cingem nos ambíguos e estranhos comércios. O gigolô, no serviço singular, descreveu ciúmes e histórias. As camaradagens, no mau acolhimento, advêm na ansiedade e indisposição.

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Imagem meramente ilustrativa.

A força das promessas


O moço, na juventude, tomou rumos do consórcio. As juras, no altar da igreja, emanaram nos cerimoniais da tradição. O matrimônio, na admirável festança, ajuntou amigos e parentes. As relações, na chegada do filho, iam de “vento em pompa”. O tempo, na sensata hora, delineou assombro e desgraça. A esposa, na meia idade, contatou chaga do câncer. O óbito, em escassos meses, adveio na doente. As juras, no afirmado da crença, balançaram na extensão das precisões. O sujeito, na falta da associação, avaliou aferro e eficácia das expressões. A solidão, na falta da afeição, despontou demorada e desumana. O fato, em parco tempo, levou no abrigo do leito da desquitada senhora moça. O enlutado, na global de abstinência, fraquejou no ajuramentado. A sexualidade, no agrado, viu-se indispensável. Viúvo, na real, vê-se aquele que vai e não quem fica.  A pessoa pode jamais dizer: “dessa água não bebo”.

Guido Lang
“Fragmentos de Sabedoria”

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domingo, 6 de março de 2016

O abjeto exemplo


O nativo, no aviso e fúria, quis ensinar aptidões e costumes. O gato, no usual ladrão, invadia cozinha e mesa. Os estendidos, em aroma de carne, caíam na degustação e evasão. O felino, no enjaulado do lugar, auferiria almejada e merecida sova. O animal e homem, no diminuto e fechado recinto, confrontaram-se na astúcia e coragem. O confronto, na criada batalha, foi digno de alvoroços épicos e excêntricos. O racional, no açoite (na mão), aventava de aplicar surra e blindar na ação. O gatesco, no ágil e desespero, externou audácia e fereza. O amo, na dimensão do bicho, apanhou feio. As mordidas e unhadas, na diminuta peça, exercitavam vigor da agilidade e guarida. O racional, no conceito de aparência de bruto, coagiu-se em abrir porta e soltar besta. A circunstância, na “se salva quem puder”, trasladou em “correr da raia”. Certas atitudes, no arriscado e exaltação, derivam em indigestas avarias. A pessoa, na inteligência, deve nunca desdenhar força dos acanhados e fracos.

Guido Lang
“Fragmentos de Sabedoria”

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O velho sonho


O cliente, na compra da casa e terra, vislumbrou ensejo de aplicação e melhoria. O porão, no espaço escuro e fresco, acorria no bom clima e recinto subaproveitado. O desleixo, em décadas, arrastava-se na peça. As aranhas e sapos, no baixo sótão, perpetravam esconderijo e festança. A vicissitude, na remoção de chão, incidia em afundar lugar. As férias, no sabor do calor, achegaram-se no direito e tempo. Alguma capitalização, no investimento, foi separada na compra dos materiais. O jeito, na contratação de pedreiro, foi “colocar mãos na obra”. A dupla, entre patrão e servidor, peleou alongadas e medidas horas. A extração de terra, edificação de murada e reboco nas paredes aconteceu nas jornadas. O lugar, no ocioso, assimilou ares de peculiar e precioso. O fato, na encanecida sina, confirma: “O despojado, nas folgas, afeiçoa em carregar pedras e perpetrar massa”. As reformulações, no habitual, associam atos e tarefas. O valor, em itens, conhece-se na dimensão do dispendido suor.

Guido Lang
“Fragmentos de Sabedoria”

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sábado, 5 de março de 2016

A irrealizável petição


O sujeito, na florescida idade, aparou na agonia e rogação. A vida, no temerário mercador e político, afluiu no cartaz e honra. A riqueza, na subtração dos humildes, consistiu avultada nos bilhões. Os imóveis, em edifícios e terras, espalharam-se pelas esquinas. As cátedras, na hierarquia estatal, foram conquistadas nas urnas. As firmas, em cifras várias, jazeram constituídas. A reputação, nas longínquas paragens, achegou-se da eficaz chefia e gerência. As pessoas, na afeição ou aversão, eram ferrenhos adeptos ou rivais. O camarada, no desfecho da essência, precisou abonar obras. A morte, na aflição e martírio, “dava os ares”. O ser, na doença e lesado, requeria em ser enterrado vivo. O autoextermínio, na fraqueza, acorria na impossibilidade. Os próximos, em auxiliares, torciam pelo desenlace final (no fado). O fato, na lição, expõe fugacidade das arrogâncias e fortunas. A pessoa, na seara, colhe o amanhado. As maldades, na cota das receitas, acertam na usual dolorosa morte.

Guido Lang
“Fragmentos de Sabedoria”

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A despercebida transcrição


O celebrado homem, na ambição, versou em avultar riqueza. A sensata área, no encravado no círculo urbano, acorreu no mercado imobiliário. O lote, na estirpe humilde, adentrou no litígio judicial. O cobiçoso, na decisão judicial, precisou rubricar termo. Os papéis, no consecutivo dos meses, incidiam na idêntica redação. As alterações, na data, ocorriam no exclusivo. O exótico, no tempo, arrastou-se no imbróglio. Os advogados, na certeira ocasião, modificaram modesto termo. O subscritor, na ação do acelerado e idêntico, subscreveu papelada. A decorrência, na bobeada, constituiu-se na devolução do imóvel. O bem, aos originais donos, acabou restituído. O desonesto, no artifício, abonara “pulos de raiva”. A advocacia, na esperteza, apanhou corruptor de “calças curtas”. A lição, em documentos, convém entender e ponderar nas linhas e entrelinhas. Os negócios, nas disputas e escritas, sobrevêm viciados em implícitos e interesses. Os cochilos sucedem em remorsos.

Guido Lang
“Fragmentos de Sabedoria”

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O intencional equívoco


O auxiliar, na classe de caixa de banco, ansiou abonar outra de esperto e proveito. O vencimento, no confrontado aos realizados gastos, caía no problema de cobertura. O juízo, na transação, havia em complementar renda. O modesto cidadão, no feitio de filho das colônias, transcrevia-se de distraído e tolo. O sujeito, na sensata ocasião (saque), auferiu elevada quantia. O dinheiro, na disfarçada atenção, caía na contagem do atendente. O numerário, no granel de mil reais (vinte notas de cinquenta), fora dito no valor. O intencional, no acertado maço, consistiu em deixar cair e faltar uma nota. A cilada, na visão do bancário, acorria em aspecto de cochilo. O cliente, no baque, discerniu malandrice. O recebedor, no fluxo do balcão, aferiu conjugado de dez maços. A exigência, no decurso, foi da falta de um cinquentão. O estranho, na laia de freguês, confirmou ardil e exclusão. O servidor, em escassas semanas, esvaneceu da agência e função. A retidão, no cartão de competência, assevera confiança e trabalho.

Guido Lang
“Fragmento de Sabedoria”

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